Nelson Piquet na Williams, Ayrton Senna na Lotus.
Privilégio para poucos países contar com dois gênios contemporâneos em
duas fortes equipes. Mas apesar de compatriotas, ambos alimentavam uma
grande rivalidade que divide os fãs brasileiros até hoje. Rivalidade
essa que ganharia um de seus mais antológicos capítulos em 1986, na
Hungria, palco do GP deste fim de semana. Piquet protagonizou sobre
Senna uma manobra considerada por muitos como a maior ultrapassagem da
história da Fórmula 1 (clique e veja). Manobra descrita da seguinte forma pelo tricampeão Jackie Stewart:
- Foi como fazer um looping com um Boeing 747 – sintetizou o britânico.
Na Hungria, em 86, Piquet alcançou a 16ª vitória. Mas foi a ultrapassagem que ficou na história (Foto: Getty)
Era a primeira vez da F-1 em Hungaroring, circuito localizado nos
arredores de Budapeste. A pista, travada e com retas curtas, dificultava
– e muito – as disputas por posições. Outro motivo que valorizaria
ainda mais a façanha do piloto da Williams.
Na época, Piquet era uma estrela consolidada. Bicampeão mundial pela Brabham (em 1981 e 1983), o carioca, aos 33 anos, começava uma nova jornada, agora no time britânico. Já o paulista Senna, era dez anos mais jovem. Ainda sem títulos, mas com três vitórias no currículo, estava em sua terceira temporada na F-1 e era considerado um potencial campeão no futuro.
Ayrton Senna anotou a pole position do GP da Hungria com a Lotus, em 1986 (Foto: Getty Images)
Em razão da dificuldade de ultrapassar, uma boa posição no grid era
fundamental. Especialista em emplacar uma volta rápida, Senna cravou a
pole position, era a 13ª das 51 que anotou ao longo da carreira. Piquet
completou a dobradinha no grid. Mas eles não eram as únicas estrelas
daquele grid. Alain Prost (McLaren) e Nigel Mansell (Williams) dividiam a
segunda fila. Época da era de ouro da F-1.
Na largada, Senna manteve a ponta, enquanto Mansell deixou Piquet e
Prost para trás e pulou para segundo. O brasileiro da Williams reagiu
rápido, deu o troco no companheiro de equipe já na terceira volta e
retomou a vice-liderança. Prost foi superar o Leão apenas oito voltas
depois. Enquanto isso, a dupla verde amarela já sumia na ponta. O
francês abandonou na 23ª volta, fazendo Mansell voltar à terceira
posição.
Na parada dos boxes, a Lotus trabalhou melhor que a Williams e fez a vantagem de Senna sobre Piquet aumentar para nove segundos. A essa altura, o ritmo dos dois era tão forte que na volta 47, ambos deram uma volta no inglês da Williams, o terceiro.
Foi então que Piquet começou a imprimir um ritmo ainda mais impressionante. Tirando em média 2s por volta, colou de vez em Senna na volta 53. Mas, como diria Galvão Bueno, na Fórmula 1, “chegar é uma coisa, passar é outra”. Não para Piquet. A primeira tentativa, por dentro na curva 1, não deu certo. O carioca freou muito tarde e levou o xis.
O bote derradeiro veio na abertura da volta 56. Se por dentro não
funcionou, Piquet apelou para o improvável. Tomou a parte esquerda da
pista. Sem espaço, chegou a beliscar a grama com as rodas. Novamente
freou tarde, muito tarde. O carro derrapou com as quatros rodas. Viraria
facilmente um passageiro, mas apenas se fosse um piloto qualquer. Não
era o caso. Desafiando as leis da física, segurou o carro no braço, como
se estivesse pilotando um kart. Não deu chances para Senna (reveja o lance no vídeo).
História escrita com borracha queimada. Dali em diante, rumou para a
vitória, a 16ª de suas 23 na Fórmula 1. Tempos depois, em uma entrevista
na TV, o sempre irreverente Piquet disse que, durante a maior
ultrapassagem de todos os tempos, ainda teve tempo para mais uma coisa:
- Freei trinta, quarenta metros além do que precisava, vim com os carros escorregando nas quatro rodas e mandei um gesto bacana, mandei ele tomar no...
Manobras e palavras que não poderiam vir de outra pessoa senão Piquet.
Números do Brasil na Fórmula 1:
- Foi como fazer um looping com um Boeing 747 – sintetizou o britânico.
Na época, Piquet era uma estrela consolidada. Bicampeão mundial pela Brabham (em 1981 e 1983), o carioca, aos 33 anos, começava uma nova jornada, agora no time britânico. Já o paulista Senna, era dez anos mais jovem. Ainda sem títulos, mas com três vitórias no currículo, estava em sua terceira temporada na F-1 e era considerado um potencial campeão no futuro.
Na parada dos boxes, a Lotus trabalhou melhor que a Williams e fez a vantagem de Senna sobre Piquet aumentar para nove segundos. A essa altura, o ritmo dos dois era tão forte que na volta 47, ambos deram uma volta no inglês da Williams, o terceiro.
Foi então que Piquet começou a imprimir um ritmo ainda mais impressionante. Tirando em média 2s por volta, colou de vez em Senna na volta 53. Mas, como diria Galvão Bueno, na Fórmula 1, “chegar é uma coisa, passar é outra”. Não para Piquet. A primeira tentativa, por dentro na curva 1, não deu certo. O carioca freou muito tarde e levou o xis.
- Freei trinta, quarenta metros além do que precisava, vim com os carros escorregando nas quatro rodas e mandei um gesto bacana, mandei ele tomar no...
Manobras e palavras que não poderiam vir de outra pessoa senão Piquet.
Números do Brasil na Fórmula 1:
-
primeira fila6 vezesNa Hungria, em 1986, foi a quinta vez que uma primeira fila do grid foi dominada por brasileiros. No total, isso aconteceu seis vezes, entre as temporadas de 1985 e 1986. Todas elas protagonizadas por Ayrton Senna e Piquet, e sempre com Senna na pole position.
-
dobradinhas11 vezesO GP da Hungria daquele ano marcou a quinta das 11 dobradinhas verde e amarelas na Fórmula 1. Piquet e Senna protagonizaram oito delas, com o primeiro levando a melhor em cinco ocasiões. As outras foram: Piquet e Roberto Pupo Moreno (Japão, 1990) e Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace (Inglaterra e Brasil, 1975).
-
Senna e Piquet6 títulosSenna e Piquet conquistaram três títulos mundiais cada um. Nelson foi campeão em 1981, 83 e 87 enquanto Ayrton faturou os títulos de 88, 90 e 91. Senna tem 41 vitórias, 80 pódios e 65 pole positions em 161 GPs disputados. Piquet soma 23 vitórias, 60 pódios e 24 poles em 204 participações.GE
Nenhum comentário:
Postar um comentário